Thursday, February 14, 2008

essa coisa dos dez anos

o hermetismo de um blog é uma coisa maravilhosa. as pessoas entendem o que querem. o que não querem. o que está em suas cabeças - quando há alguma coisa em suas cabeças. outras, é claro, não entendem nada. ou melhor: ninguém entende nada. só eu sei do que estou falando. e isso me enche de contentamento. me enche o saco às vezes também. não, querido, eu não estou falando com você. estou falando com ele. estou sempre falando com ele. mas ele não me escuta. por isso que eu insisto. o dia em que ele escutar eu paro.

mentira.

amanhã eu volto para casa. acabou a putaria. acabou esse insuportável sobe e desce de avião que piora minha sinusite. recebi hoje um cronograma com prazos - tenho até maio para entregar o Eu Quero Ser Eu para a cosac naify-, começam as aulas da catarina, iniciam-se as buscas por outra morada, o processo todo de divulgação do filme, que estréia em março ou abril, já não sei mais, temos, eu pinky e eva, que resolver algumas coisinhas sobre o Nossa Senhora da Pequena Morte (ex-Delírio de Ruína, que embaçou demais e sofreu adaptações - a ser lançado em março), enfim, começou o ano. acabou a putaria. vou ser adultinha um pouco nesta vida, fazer o que sei fazer melhor - segundo os ensinamentos de groo - e parar com os devaneios.

mentira.

voltar para casa, os gatos me esperando, uma baguncinha, umas plantas secas e a minha cama, meu chuveiro, minha geladeira vazia, meu sofá. vai ser demais. minha solidãozinha tão querida, que não troco por nada nem ninguém neste mundo. quem se aproxima de mim sabe que ela está ali e que ao segurar a minha mão vai estar segurando a dela também. eu acho isso bonito. foi assim comigo. eu nem percebi. mas era bonito. hoje, quase dez anos depois (peguei essa mania dos quase dez anos, são apenas sete mas quase dez é mais dramático), me vejo repetindo a história - mas trocando de papel.

eu acho isso bonito.

verdade.

não sei o que vai acontecer. não sei se vai acabar docemente ou em desastre, não sei se devia parar tudo agora antes que. não sei fazer isso de parar pela metade. costumam fazer isso por mim, aí eu tenho que dar um jeito de arrumar um final para ficar em paz comigo. não sei o que vai acontecer, então vamos indo, dá aqui a mão, só vamos indo porque o céu está bonito demais e eu ando sentindo uma paz que não é minha e não é inventada, simplesmente é. é. então vamos.


 
 

TUDO TINHA MUDADO. Menos o que ficou igual.

  • Vida de gato
  • Das coisas esquecidas atrás da estante : esgotado, procure nos sebos!
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senso*